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12.2.07

É CARNAVAL I E II
Estava caminhando no meu quintal, também conhecido como Lagoa Rodrigo de Freitas, quando notei alguns olhares em minha direção. Eu não estava suja, meu fecho-éclair não estava aberto, nem havia melancia alguma pendurada em meu pescocinho. Mas sim, eu estava trajando minha camiseta preferida: a da Branca de Neve - corpo azul, gola branca, mangas bufantes. Fiz carão, postura estrategicamente adotada a cada vez que adentro um recinto e sou um dos poucos ou o único ser vestindo fantasias em vez de (ou por cima das) roupas, incorporando personagens que me convencem, ainda que temporariamente, que a felicidade existe e está ao alcance das luvas 3/4.

Invado o Cervantes lá pelas três da manhã fantasiada de rainha, como quem está de calça jeans e blusa branca. Tomo chope e Conversa Fiada como quem está de rabo de cavalo em vez de cauda de oncinha. Caminho na Lagoa de Branca de Neve como quem está de short e biquíni. Seria mais uma caminhada como tantas, não fossem os efeitos da sexta-feira se abatendo gradualmente sobre minha alva cútis - de uma Branca de Neve moderna, que mora a quinze minutos a pé de Ipanema e não vai a praia de jeito nenhum, não pisa na areia, por mim, mandava ladrilhar. Desculpe, mas modéstia à parte, sou a encarnação da Branca de Neve. A Branca de Neve sou eu - bato no peito. Sou a Branca de Neve, com muito orgulho, e passo longe de maçã.

Pois bem; como estava dizendo, a Branca de Neve sentiu os efeitos da sexta-feira, lua redonda lá no céu, estrelas miúdas, calor, suor, garganta seca. Água de côco que nada. As barraquinhas não só vendem mate, guaravita, água com ou sem gás como também, é claro, skol. Tá geladinha? Abri, o colarinho subiu, dei aquele primeiro gole que são logo três e continuei a caminhada. Foi aí que o conto de fadas fugiu da cartilha, não gostei, quero uma carruagem de abóbora pra casa, quero me teletransportar para o passado ou, pelo menos, me tornar invisível a la Tygra, mesmo correndo o risco de cometer uma heresia imperdoável com o sapatinho de cristal.

Comecei a me sentir tímida, angústia arregaçando minhas costelas, não foi legal. As crianças de capacete nas garupas dos pais, as crianças lambendo picolés cor-de-rosa, as crianças aprendendo a andar de patins, patinete, crianças aprendendo a andar, enfim, as crianças começaram a olhar para mim, para a Branca de Neve, olhavam mais e mais e aquele encantamento, o risinho de canto, a olhadela para a mãe pra ver se ela também estava vendo o que ela estava vendo, puft, sumiu. Sumiu feito feitiço.

Os rostos das crianças ficaram tristes, caras de bundas de bebês, muito tristes, sobrancelhas em declive, lábios apontados para o chão, crianças horrorizadas, escandalizadas, traumatizadas. E tudo por causa da Branca de Neve, tudo por causa da Branca de Neve de lata de cerveja em punho, logo a Branca de Neve, tão simpática, uma bêbada, até uma alcoólatra - caso as crianças já tenham essa palavra anotada em seus dicionários. Tadinhas. A Branca de Neve virando uma skol é a visão do inferno, pior do que descobrir que Papai Noel não existe, nem o Coelhinho da Páscoa, nem o Bob Esponja, tudo de uma só vez.

Contado por Branca de Neve, a legítima.


II
Carnaval, venha logo, i need you, i love you, i want you more than words can say. Enfim serei uma nega maluca, rata, coelha, borboleta, anjo, diabo, chapeuzinho , havaiana, índia, odalisca, cigana. E, se alguém disser que não, é a vovozinha, a madrasta má ou o lobo mal-humorado, chato pra caramba, estraga-prazeres do conto da carochinha.

Pedido ao gênio da lâmpada.



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