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30.3.07



EU TE AMO
O Site meter está para o blog assim como o identificador de chamadas está para o celular. Sim, o segundo está mais evoluído que o primeiro - é possível saber exatamente quem ligou, enquanto se tem apenas alguma pista de quem entrou no seu blog. Olha, melhor assim, acho bom, acho ótimo. Os avanços tecnológicos nem sempre vêm para o bem.

Por exemplo, são ferramentas como binas, site meters e dedo-duro do orkut que vão comprometer profundamente a adolescência de meus futuros filhos. Claro! Eles jamais sentirão o gosto gostoso de roubar as revistas de sacanagem do pai. Pra quê?! É só dar meia dúzia de cliques na Internet e pronto: fotos muito mais sacanas do que as das revistas que eu roubava quando tinha meus 15, 14, vá lá, 12 anos de idade.

Pior ainda: meu futuro filho nunca poderá sentir a típica contração do abdome ao ligar pro alvo de seus pensamentos antes de dormir e desligar logo após ouvir "alô". Isso sim é sacanagem.

Não se pode apenas falar mal. Ninguém é perfeito, nada é. Com maior ou menor esforço, há de se encontrar uma qualidade ou outra. O site meter, até ele, tem suas qualidades. Essa semana me fez abrir um largo sorriso ao checar as últimas entradas via google e, olha lá, alguém entrou aqui procurando as palavras "Rosana eu te amo"*. Tudo bem que não era pra mim, ok, eu sei.

Mas fiquei toda boba.

Escrito por Rosana, que só quer ser amada - sempre, cada vez mais.



*Pistas de quem ama a Rosana**: é de São Paulo e usa o Internet Explorer. Só.

** Aguardo ansiosamente o dia em que o site meter vai se equiparar ao identificador de chamadas do meu celular.



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19.3.07

REPEAT
Não sei sobre você, mas eu, eu uso em demasia a função repeat. Como as crianças, como o Baby, como se eu não tivesse uma gota de criatividade. Música não conta - todo mundo coloca música no repeat, repeat logo depois do refrão, repeat antes de terminar o instrumental, repeat, repeat, repeat. Música de dor de cotovelo, música-tema de novela, música em que o tom do intérprete é o mesmo que o seu, música que lembra aquele momento que já foi e não volta - mas bem que podia, pelo menos naqueles três minutos ou três horas de repeat. Além das notas erradas de canções que por um motivo ou por outro tocam insistentemente o meu coração, quando digo que exagero na função repeat é porque não me contento com o botão homônimo do som do carro.

Aperto, pois, o repeat quando compro uma roupa nova, e num rompante de paixão por ela e por mim mesma, uma vez dentro do vestido quero repetir nos sete dias da semana - ou seja, repeat nele, mesmo sob o risco de encontrar no domingo o mesmo grupo de amigos de sexta-feira, assim sem querer, assim torcendo, nessa cidade que muito se assemelha a uma ervilha.

Saboreio um tijolinho de Hershey's, (branco), (Cookies'n' Creme), e aí é repeat até arrebentar o botão da calça. Repeat de amiga: essa semana só quero Nândida; na outra, mando um repeat de Aline; depois, por favor, me vê um repeat de Dani. Repeat de penteados: colo uma flor no cabelo até minha imagem ser injustamente associada a uma tal de Irisleine Stefanelli; invisto em maria-chiquinha até meu marido se rebelar contra os fios presos e puxar lentamente os elásticos coloridos quando ainda estamos no elevador; enfio grampos repetidos em mechas desbotadas até que todos sejam perdidos nos bolsos de bolsas tiracolo ou nos bolsos rasgados de bermudas idem.



Nunca tinha acontecido, mas no momento apertei o repeat em um filme. Não, não em qualquer um, mas no atual top first das prateleiras de casa. Ladies and gentlemen, Mr. Bob Harris. Está no repeat, posso vê-lo dez vezes seguidas, passa nesse instante na sala enquanto rascunho essas linhas - you know there's nothing more than this.

Sim, há outras cenas que passam em repeat na minha cabeça. Acordo, repeat. Durmo, repeat. Tomo banho, repeat. Passo a quinta, repeat. Há outras que repito incessantemente no drive-in em que se transformou meu carro, quando no caminho até o trabalho, até a tijuca, até o suvaco do cristo. Cenas que nunca aconteceram, provavelmente jamais acontecerão, mas que maravilha é decorar as falas em voz baixa e treinar expressões de olho no espelho retrovisor, ainda que nunca sejam distribuídos os scripts. Mas aí já é outra história.

Inspirada por Charlotte e Bob Harris.



EU NÃO VI O FILME, MAS A MINHA FILHA NÚMERO TRÊS VIU
Para quem, como eu, adorou a menina má: "Cadernos de Don Rigoberto". Eu não li - admito enrubescida que, de graça, só ando lendo rótulo de xampu e cardápio de boteco - mas duas pessoas que nada têm a ver uma com a outra me sopraram a cola. A má notícia é que está difícil de achar. Depois me diz.

Recomendado por Y. M. e L.B.



AUTO-MASSINHA


Amassado por eu-criança.



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